1811 – 2011: Bicentenário de Nascimento de Franz Liszt

 

Liszt nasceu em Rainding, Hungria, em 22 de outubro 1811. Criança-prodígio tocava bem piano aos sete anos, começou a compor aos oito e dar concerto aos nove. Embora nascido na Hungria, tinha descendência alemã, e pouco aprendeu a falar o idioma de sua terra natal, pois se mudou aos dez – onze anos para Viena, onde continuou seus estudos de música. Em 1827 fixou residência em Paris.


Três grandes compositores influenciaram sua carreira: 1) Berlioz, com quem aprendeu o significado da cor do som e “o pensar grande”; 2) Paganini e seu virtuosismo; e 3) Chopin e seus contrastes. Aos vinte anos, ouviu o grande violinista Paganini tocar, e disse a si mesmo que se tornaria um “Paganini” do piano. Abandonou temporariamente a carreira de concertista e dedicou-se integralmente aos estudos. Eram oito a doze horas por dia tocando, sendo que cerca de cinco horas eram usadas para técnica. Tornou-se o maior pianista de seu tempo e, possivelmente, o maior de todas as épocas. Sua reestréia foi apoteótica. Clara Schumann estava lá. Outro pianista famoso na época comentou frustrado, após vê-lo tocar, que coisa alguma sobrara para ele fazer ao piano.


Liszt tinha ouvido absoluto. Era capaz de reproduzir perfeitamente uma peça ouvida apenas uma vez, por mais longa que fosse. Tinha, também, excelente leitura à primeira vista. Foi o primeiro executante a tocar peças inteiramente de memória, comportamento adotado pelos músicos solistas a partir de então.


Pessoa de muita aparência, magnetismo pessoal, esplêndida técnica, sonoridade impressionante, soube ele tirar partido desse fato, tornando-se, também, um “showman”. Foi ele quem solicitou que o piano fosse colocado de lado (como se usa hoje nas apresentações) para experiências acústicas e, dizem, por causa de seu perfil perfeito, para que as pessoas pudessem observá-lo, embora ele não admitisse que este fosse o motivo. Interessante mencionar que, documentadamente, Liszt é considerado como sendo a primeira pessoa que tentou usar a música como terapia, após visitar pessoas em hospitais.


Tinha personalidade complicada, e isso se manifestava em sua música – uma das mais complexas entre os compositores românticos. Foi ele quem plantou as sementes da atonalidade cujos frutos seriam colhidos mais tarde por Wagner. As últimas obras de Liszt sugeriam o impressionismo de Debussy e as dissonâncias de Bártok.


Abandonou a carreira de pianista aos 36 anos. Foi ser diretor musical de teatro. Escreveu obras para orquestra e coral. Ajudou muitos compositores ainda pouco conhecidos como Berlioz, Grieg,Wagner, Debussy, Saint-Saëns, Fauré, Borodin e Smetana, entre outros. Inventou a forma orquestral POEMA SINFÔNICO, peça de um movimento baseada em um poema, uma pintura, etc., adotada, posteriormente, por compositores como Richard Strauss e Saint-Saëns. Tornou-se, também, professor de alunos que vinham de todas as partes e a quem ele dava preciosos conselhos. Lecionou, gratuitamente, para mais de 400 alunos. Compôs música para órgão, música religiosa e canções. Após uma viagem a Budapeste, escreveu sobre a música dos ciganos e compôs as 19 Rapsódias Húngaras.


Uma de suas obras-primas para piano, a Sonata para piano em si menor, composta em 1853, durava trinta minutos. E foi exatamente esta obra que Liszt resolveu tocar para Brahms, ainda jovem no início da carreira, quando este foi visitá-lo e aconselhar-se com Liszt. Brahms, famoso por ser grande dorminhoco, não conseguiu conter o sono e dormiu enquanto Liszt tocava. Tornaram-se inimigos.


Franz Liszt faleceu em Bayereuth, Alemanha, em 31 de julho de 1886, aos 75 anos, vítima de pneumonia. Estava cercado por seus queridos alunos Friedheim, Siloti, Stavenhagen, e outros e por uma de suas duas filhas (a outra faleceu ainda pequena), Cosima, viúva de Wagner. Anton Brückner tocou órgão no funeral.

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