1. Estudar teclado ou piano?
  2. Como consigo ouvir o som antes de tocá-lo ou cantá-lo?
  3. Tenho dificuldade para realizar leituras à primeira vista. Como posso melhorar minha leitura?
  4. Eu consigo tocar uma sequência rítmica, mas não consigo escrever um ritmo que ouço. Por quê?
  5. Por que não consigo decorar nenhuma música?
  6. Piano acústico ou digital?
  7. Por que detesto Bach?
  8. Eu vou levar muito tempo para aprender a tocar piano?
  9. .Tenho o costume de, primeiro, ler a música de mãos separadas e só depois toco as duas claves. Está certo?
  10. Eu posso melhorar minha afinação?

 

11.Estudar teclado ou piano?

É comum encontrar entre os adultos, pessoas que desejam resultados rápidos. E se esse item é a tônica, a resposta obviamente é o teclado. Há um, porém que frustra as pessoas logo depois de conseguirem alguma performance no teclado. E este é a ausência do domínio técnico da execução. Infelizmente, a proposta do teclado com a pedagogia de resultados, não ajuda na solução dessa deficiência que irá minar mais tarde a continuação do interesse no instrumento. O piano, por outro lado, ele condiciona o seu usuário a uma ordem preciosíssima, que é passar a ter o domínio do movimento e a sua fluência. Isso é muito mais do que apenas produzir sons e o impressionismo aparente. O piano oferece ao seu executante um mundo sonoro harmônico que arrebata todos os seus amantes.

12.Como consigo ouvir o som antes de tocá-lo ou cantá-lo?

A preconcepção sonora é uma aptidão e um recurso que, quando desenvolvidos, dão ao musicista total segurança. O processo é a introspecção do som, o ancoramento desse som e a precisão desse endereço (da sua localização). Quando o som começa a soar “mentalmente”, antes da sua execução ou existência física, a pessoa chegou a um grau de proficiência que lhe permite a vestimenta artística da interpretação.

13.Tenho dificuldade para realizar leituras à primeira vista. Como posso melhorar minha leitura?

Leitura à primeira vista é uma habilidade inata, mas também podem ser conquistada com metodologia, disciplina e prática. Os primeiros leitores (inatos) não têm consciência de como esse processo ocorre. Mas estudos têm demonstrado que há um raciocínio que pode ser ensinado e desenvolvido. O processo é formado por várias partes:

1. A partitura: escolher o método mais adequado para cada tipo de aluno:

Notas grandes e páginas bem estruturadas, com desenhos / títulos que ajudem o aluno a imaginar e entender o quê a música quer dizer são indicados para alunos iniciantes;

Repertório cativante e diversificado;

Abordagem por desenho melódico, notas de referência, por posições, etc.

2. Ver a partitura: saber os signos musicais, o que significam e como interpreta-los; movimento dos olhos, olho dominante e sua forma de traçar a leitura, etc.

3. A mente: a decodificação daquilo que chega pelos olhos e pelos ouvidos e a geração de respostas motoras;

4. O corpo e a execução sob o comando da mente.

A prática diária de leitura à primeira vista, em um nível um pouco abaixo do nível atual do aluno, por alguns minutos, será de grande ajuda. Há material específico para essa atividade. Os resultados são em médio prazo, mas são duradouros

14.Eu consigo tocar uma sequência rítmica, mas não consigo escrever um ritmo que ouço. Por quê?

A abordagem inicial é a fonte dessa disparidade no aprendizado. O aluno que estuda ritmo precisa aprender a ver, ouvir, entender, executar e escrever aquilo a que ele é exposto. Pode-se ouvir um som e identifica-lo no instrumento. Ninguém é obrigado a ter ouvido absoluto, ouvido treinado sim. Mas o ritmo não tem como ser encontrado no instrumento. É um código sonoro que precisa ser aprendido.

Ao ensinar ritmo, devem-se considerar os dois componentes básicos desse código:

1. O ritmo representado pela sequência de notas e pausas, suas combinações e a precisão da execução, que o aluno vê escrito na partitura; e

2. pulsação que não é representada graficamente, mas que o aluno precisa “ver”, sentir e aprender a contar a fim de poder se localizar dentro da sequência rítmica. Essa contagem deve ser feita em voz alta e monitorada pelo professor até que este constate a internalização da pulsação.

Uma integração dos dois hemisférios cerebrais é necessária para que uma execução e escrita rítmica sejam realizadas eficientemente, uma vez que o hemisfério direito é responsável pelo ritmo e o hemisfério esquerdo é o que conta.

15.Por que não consigo decorar nenhuma música?

Memorização tem referência com identidade afetiva. Se a música não disser nada à emoção, então ela se torna apenas um aglomerado sonoro agradável. Não transmite nenhuma mensagem. Se esse é seu caso, você terá que partir para uma memorização estruturada em técnicas de racionalidade (memória visual, memória sinestésica, memória auditiva, memória geográfica e memória analítica). Mas se o seu perfil é de identidade afetiva e se sensibiliza com a idéia, com a mensagem sonora, a possível deficiência dessa não memorização reside na necessidade de melhor compreensão do que está acontecendo partitura/música. A solução então é ter uma abordagem de conhecimento melódico e harmônico para aproximar aquele objeto do seu interesse de identidade e memorização.

16.Piano acústico ou digital?

Piano acústico: possui as riquezas do universo da física sonora: harmônicos, seus compostos e a excitação produzida fisicamente em tudo que se encontra ao alcance dessa fonte sonora. Piano digital: é uma tentativa de aproximação pelo sampleamento do som procurando produzir, ao menos, alguma semelhança que faça lembrar a sonoridade do acústico, porém sempre deixa a sensação de ficar aquém.

Quando um músico profissional, que trabalha com piano acústico, se vê obrigado a fazer uso do piano digital, as razões, em grande porcentagem, são: comodidade de transporte, precisão de afinação, possibilidade de uso do fone de ouvido e o recurso de transposição. Então, está claro que é um instrumento útil para eventualidades mais descontraídas e conforto no estudo. Qual seria a opção? É impossível substituir o piano acústico em qualquer ocasião em que se preze a qualidade artística do resultado.

17.Por que detesto Bach?

Essa tem sido uma constatação frequente entre alunos adolescentes e jovens. Concluímos que para o aluno se identificar com a música barroca, não necessariamente Bach, é necessário que: O aluno tenha uma boa leitura à primeira vista. A leitura de vozes (horizontal) é muito mais complexa do que uma leitura harmônica (vertical). Por isso os métodos de vanguarda introduzem leitura de acordes antes de apresentarem a leitura de vozes. O ideal é aguardar o amadurecimento da leitura até um nível acima da leitura exigida nas peças barrocas.

O aluno tenha agilidade suficiente para executar os ornamentos. Ou o aluno tem naturalmente essa habilidade (uma minoria), ou ele terá que se esforçar muito, tecnicamente, para executar os ornamentos a contento.

O aluno tenha maturidade psicológica para apreciar esse estilo musical. Como normalmente esse tipo de música é mais sério e sóbrio, é mais difícil o adolescente e o jovem apreciarem tal estilo. Adultos que não atendem completamente aos itens 1 e 2 acima mencionados, conseguem vencer as barreiras de leitura e técnicas simplesmente porque têm amadurecimento psicológico compatível com o estilo da música.

18.Eu vou levar muito tempo para aprender a tocar piano?

Depende de seu interesse, sua aptidão e de algumas outras variáveis que formam o conjunto dessa realização. Se você já tem bom ouvido, se você já possui habilidade manual, se você gosta de fazer isso, o resultado virá muito mais rápido. Mas se você não tem tanta aptidão, e precisa desenvolver uma habilidade manual, então o sucesso da sua conquista reside numa disciplina mais rigorosa. Se você gosta de ser disciplinado, você tem grandes chances de conseguir logo e fazer bem.

19.Tenho o costume de, primeiro, ler a música de mãos separadas e só depois toco as duas claves. Está certo?

A pedagogia moderna enfatiza a leitura holística (abrangente, completa) das duas pautas e da página em um primeiro contato com a música. Sendo identificado(s) o(s) ponto(s) de dificuldade, particulariza-se o estudo de cada tópico (nesse caso, de mãos separadas primeiras até ter o controle da passagem, e, a seguir, de mãos juntas), retornando à página inteira como na primeira leitura. Recomenda-se que esse processo seja desenvolvido desde as primeiras lições de piano, para que os olhos, a mente e o corpo possam ir absorvendo o crescendo da introdução de novos conteúdos e consigam, sempre, trabalhar em harmonia. Em outras palavras: ser capaz de ver e entender os signos da partitura, interpretar esses signos e produzir uma resposta motora que será executada eficientemente pelo corpo.

20.Eu posso melhorar minha afinação?

Afinação é grau maior ou menor de percepção auditiva. O composto sonoro que advém dessa percepção é sentido na vibração, é processado na racionalidade e é percebido na dedução. Quanto mais detalhes a pessoa perceber de um som, e racionalizar sobre esse som, maior será o ajuste fino dessa afinação. Observação: é óbvio que se deve excluir qualquer aberração anatomofisiológica e a presença de qualquer fonopatologia.