1. É importante eu ouvir a música que estudo (ou que vou estudar) tocado por outra pessoa?
  2. Por que não consigo solfejar à primeira vista?
  3. Tenho anos de estudo e não consigo tocar com segurança.
  4. A personalidade influencia no aprendizado?
  5. Qual a ordem dos planos para uma boa leitura a primeira vista?
  6. Há uma fórmula para construir acordes rapidamente?
  7. É normal a gente ficar confuso quando começa a tocar por cifras?
  8. Fico sem saber o que fazer quando vejo aqueles números acrescentados às letras das cifras. O que fazer? O que eles representam?
  9. Qual a ordem dos planos para uma boa leitura a primeira vista?
  10. Há uma fórmula para construir acordes rapidamente?

 

41.É importante eu ouvir a música que estudo (ou que vou estudar) tocado por outra pessoa?

Qualquer referência sobre aquilo que a gente vai fazer é importante, mas, desde que eu tenha uma personalidade que possa avaliar/criticar o que ouço. Porque a imitação é o caminho que destrói talentos artísticos.

42.Por que não consigo solfejar à primeira vista?

Construído de forma lenta e constante. Há poucas pessoas com talento (aptidão natural) para entoar sons na altura correta. A maioria precisa de treinamento frequente e ordenado para executar solfejo à primeira vista. É, portanto, necessário formar referências sonoras que guiem o aluno nessa atividade e o preparem para experiências musicais futuras. A consciência dessas referências e seus nomes, aliada à prática da leitura e entoação intervalar formam uma abordagem que capacita os alunos a se tornarem músicos independentes.

Ao aprender a solfejar da forma proposta, o aluno descobrirá os seguintes benefícios:

  • Melhora da afinação ao cantar e tocar;
  • Reconhecimento espontâneo dos sons, isolados e em intervalos;
  • Facilidade para ouvir, entender e escrever ditados melódicos;
  • Desenvolvimento da prontidão para leitura musical (leitura à primeira vista);
  • Desenvolvimento do ouvido interior;
  • Desenvolvimento da habilidade para pensar e escrever sons sem precisar ouvi-los fisicamente.

De grande importância é considerar a afinação do instrumento utilizado (mesmo que seja um teclado eletrônico) para tocar os exercícios. O aluno está aprendendo a referência sonora. Se esta referência varia de um instrumento para outro (p. e., piano da escola e piano de casa), o quadro mental será formado de forma incorreta e imprecisa. Um referencial erradamente formado no princípio do aprendizado criará bloqueios no processo de reconhecimento dos sons, implicando em dificuldades não só no solfejo, como na leitura à primeira vista e na memória sinestésica. Lembrar que é a primeira impressão que fica (imagem).

Acertar o que foi introduzido de forma imperfeita ou incorreta poderá ser extremamente trabalhoso, desgastante ou até impossível de ser alcançado por causa do residual.

43.Tenho anos de estudo e não consigo tocar com segurança.

Infelizmente, muito dessa deficiência e insatisfação se devem ao foco usado no princípio. A fluência não existe por si. Ela é criada numa metodologia de consequências. É o crescendo na pedagogia, como explica a espiral de Brunner. Soluções existem e elas funcionam aplicadas nos motivos. É muito importante ter ao alcance um profissional que saiba diagnosticar, logo nos primeiros contatos, onde se encontra(m) o(s) nó(s) da questão. Como via de regra, foi permitido que a pessoa desenvolvesse uma série de maus hábitos (não atentar para o ritmo, para a dinâmica e articulação; tocar sem envolvência emocional; tocar sem se ouvir; etc.)

44.A personalidade influencia no aprendizado?

A personalidade determina como a pessoa vê o mundo e, por extensão, uma partitura. Há pessoas que, por serem detalhistas, também procedem da mesma forma detalhada quando tocam por partitura, como por exemplo focar o valor de cada nota, os nomes de cada nota de um acorde, hábito que dificulta a fluência da leitura.

Essas pessoas não conseguem agrupar padrões de notação musical e organiza-los dentro de uma pulsação, o mesmo acontecendo com os movimentos do corpo. Movimentos repetidos dos pulsos, da cabeça, e paradas no andamento quando precisa mudar de compasso são indícios de que o aluno lê dessa forma fracionado.

O professor deve conduzir o aluno a perceber os signos de forma holística, dentro de um padrão rítmico constante e fluente a fim de promover uma adaptação de sua personalidade (seu jeito de ser) às exigências de uma execução precisa e sem interrupções.

Há aquele aluno “gestalt”, sensível, que tem bom ouvido e que é estimulado por um determinado som quando está lendo. Aí ele se envolve com aquele som, que lembra outra música, entra em devaneios e a leitura é interrompida.

Há outros que sentem a necessidade de ouvir alguns sons por mais tempo do que aquele anotado na partitura. Isso parece ser mais frequente entre os que têm ouvido absoluto.

Nesse, e em outros casos, uma boa orientação é conseguida se o professor sabe identificar o perfil de aprendizagem de cada aluno (“gestalt” ou lógico, só para citar a identificação mais abrangente), para que ele possa escolher a melhor abordagem de ensino, além de saber interpretar se as atitudes do aluno são de ordem emocional e/ou psicológica.

45.Qual a ordem dos planos para uma boa leitura a primeira vista?

O processo de construção da Leitura à Primeira Vista depende, especialmente, de uma abordagem ordenada, que é responsável pelo estabelecimento de um quadro mental claro, preciso e, consequentemente, de acesso rápido.

Nossa experiência, assim como a de outros professores, mostra a eficácia da seguinte sequência de planos:

  • Reconhecimento visual, conhecimento do significado dos signos musicais (introduzidos aos poucos) e suas execuções;
  • Notas de referência;
  • Leitura por desenho melódico;
  • Leitura por posições;
  • Leitura intervalar (e, posteriormente, por acordes).

Recomenda-se que a prática diária, por cerca de 5-10 minutos, seja feita com peças escolhidas com nível um pouco abaixo do nível de adiantamento atual do aluno.

Como saber se o nível da peça está correto? A leitura deve ter certo grau de fluência; na grande maioria dos casos, deve ser realizada de mãos juntas; o índice de erros deve ser pequeno. Se o aluno estiver encontrando dificuldades na execução, a conclusão é que ou a peça está em nível avançado ou o aluno desconhece conteúdos da partitura.

Lembrar: o objetivo não é perfeição nem velocidade; é chegar o mais perto possível da perfeição, de forma calma e concentrada; é manter uma pulsação equilibrada e um andamento constante; é aumentar o índice de acertos à medida que o aluno avança (isto significa amadurecimento).

46.Há uma fórmula para construir acordes rapidamente?

Sim. Algumas pessoas têm nos procurado desejando tocar partituras com melodias e cifras.

As TRÍADES (acordes 3 sons) são bem simples de serem construídas a partir de uma única fórmula básica. É muito importante registrar que, sabendo a TRÍADE MAIOR, o aluno é capaz de construir as outras três: menor, diminuta e aumentada.

A fórmula da tríade maior é 4 + 3, que significa: tocar a nota indicada pela cifra (fundamental do acorde) + 4 semitons (encontra-se a 3.ª do acorde) + 3 semitons (encontra-se a 5.ª do acorde).

  • TRÍADE MENOR: fórmula da tríade maior + abaixar a 3.ª (ou, se preferir, use a fórmula 3 + 4).
  • TRÍADE DIMINUTA: fórmula da tríade maior + abaixar a 3.ª e a 5.ª (ou 3 + 3).
  • TRÍADE AUMENTADA: fórmula da tríade maior + elevar a 5.ª (ou 4 + 4).

Enfatizamos dois tópicos importantes nessa abordagem: a grande necessidade de conceituar todos os parâmetros musicais e a explicação do uso e do porquê de cada novo conteúdo.

47.É normal a gente ficar confuso quando começa a tocar por cifras?

Sim, é o sentimento de todos. Uma boa coordenação das mãos e uma pulsação constante não são conseguidas facilmente. O essencial é tocar todos os dias por cerca de 15 minutos. Os olhos precisam aprender a “ver” os acordes no teclado (nos estados fundamentais e invertido); a mão esquerda precisa desenvolver a memória sinestésica (do movimento).

A princípio, o teclado pode parecer-lhe apenas um monte de teclas brancas e pretas, que, aos poucos, vão tomando ordem e sentido na cabeça de quem toca. Vai chegar o tempo em que você começará a ver com mais prontidão os acordes, onde colocar cada dedo.

Não desanime, mesmo que, aparentemente, você não esteja fazendo progresso. Na realidade, o processo está em fase de amadurecimento (se você estiver praticando).

48.Fico sem saber o que fazer quando vejo aqueles números acrescentados às letras das cifras. O que fazer? O que eles representam?

Temos observado que é comum, alguns músicos desconsiderarem a execução desses números. Tudo bem, é possível tocar a música apenas com as tríades (cifras sem os números), mas o executante não está sendo fiel ao que o compositor/arranjador imaginou ou idealizou para aquela partitura.

Pode ser que ela seja empobrecida. Os números significam que outras notas devem ser acrescentadas ao acorde:

  • O número 7 representa a 7.ª nota a partir da fundamental (há 3 tipos de sétima). Portanto, uma quarta nota deve ser acrescentada à tríade. A maior parte dos acordes usados hoje são de 4 sons;
  • O número 6 representa a 6.ª nota a partir da fundamental (há só 1 tipo de sexta). Portanto, uma nota deve ser tocada acima da 5.ª da tríade;
  • O número 9 representa a 9.ª nota a partir da fundamental (há 3 tipos de nona). Portanto, uma quinta nota deve ser acrescentada à tríade. Normalmente, toca-se a sétima nesse acorde de 5 sons, e ele é dividido entre as duas mãos;
  • O número 11 representa a 11.ª nota a partir da fundamental (há 2 tipos de décima primeira). Portanto, uma sexta nota deve ser acrescentada à tríade. Você pode pensar na 11.ª como uma 4.ª executada oitava acima. Dividir as notas entre as mãos;
  • O número 13 representa a 13.ª nota a partir da fundamental (há 2 tipos de décima terceira). Portanto, uma sétima nota deve ser acrescentada à tríade.

Dividir as notas entre as mãos. Não é preciso executar todas as 7 notas, algumas podem ser omitidas como a 5.ª, a 9.ª e a 11.ª.

Como você pode ver o assunto não é tão simples de ser entendido e guardado, quanto mais executado. Mas também não é complexo. Depende de tempo, prática e de uma boa explicação do conteúdo. Em outras palavras, é importante um curso de harmonia, que dura de 1-2 semestres, dependendo de seus objetivos.

49.Qual a ordem dos planos para uma boa leitura a primeira vista?

O processo de construção da Leitura à Primeira Vista depende, especialmente, de uma abordagem ordenada, que é responsável pelo estabelecimento de um quadro mental claro, preciso e, consequentemente, de acesso rápido.

Nossa experiência, assim como a de outros professores, mostra a eficácia da seguinte sequência de planos:

  1. Reconhecimento visual, conhecimento do significado dos signos musicais (introduzidos aos poucos) e suas execuções;
  2. Notas de referência;
  3. Leitura por desenho melódico;
  4. Leitura por posições;
  5. Leitura intervalar (e, posteriormente, por acordes).

Recomenda-se que a prática diária, por cerca de 5-10 minutos, seja feita com peças escolhidas com nível um pouco abaixo do nível de adiantamento atual do aluno.

Como saber se o nível da peça está correto? A leitura deve ter certo grau de fluência; na grande maioria dos casos, deve ser realizada de mãos juntas; o índice de erros deve ser pequeno. Se o aluno estiver encontrando dificuldades na execução, a conclusão é que ou a peça está em nível avançado ou o aluno desconhece conteúdos da partitura.

Lembrar: o objetivo não é perfeição nem velocidade; é chegar o mais perto possível da perfeição, de forma calma e concentrada; é manter uma pulsação equilibrada e um andamento constante; é aumentar o índice de acertos à medida que o aluno avança (isto significa amadurecimento).

50.Há uma fórmula para construir acordes rapidamente?

Sim. Algumas pessoas têm nos procurado desejando tocar partituras com melodias e cifras. As TRÍADES (acordes 3 sons) são bem simples de serem construídas a partir de uma única fórmula básica. É muito importante registrar que, sabendo a TRÍADE MAIOR, o aluno é capaz de construir as outras três: menor, diminuta e aumentada.

A fórmula da tríade maior é 4 + 3, que significa: tocar a nota indicada pela cifra (fundamental do acorde) + 4 semitons (encontra-se a 3.ª do acorde) + 3 semitons (encontra-se a 5.ª do acorde).

  • TRÍADE MENOR: fórmula da tríade maior + abaixar a 3.ª (ou, se preferir, use a fórmula 3 + 4).
  • TRÍADE DIMINUTA: fórmula da tríade maior + abaixar a 3.ª e a 5.ª (ou 3 + 3)
  • TRÍADE AUMENTADA: fórmula da tríade maior + elevar a 5.ª (ou 4 + 4