Steinway, a grande referência.


Pianos? Existem tantos! Mas, é sabido, qualquer área exige o detalhe, a proficiência, o esmero e tantas variáveis correlatas. Para sorte do universo musical, pianístico, surgiu uma família, uma dinastia na Alemanha, com o marcante caráter para atenção ao detalhe: Heinrich Engelhard Steinway nasceu no final do século XVIII, um gênio da engenharia pianística. Personagem que fez escola, tanto para a sua prole, como para o mundo, inspirado por algo quase sobrenatural. Em 1835, ele, com quase 40 anos de idade, debruçou-se sobre um projeto de enorme desafio: fornecer o instrumento aos gênios que eram expoentes na performance e virtuose. Teria de dar um salto de qualidade mecânica e sonora. Não havia outra maneira senão atentar para as exigências, que eram muitas, dos pianistas de então. Ressentiam-se muito de coisas que poderiam parecer pequenas, mas péssimas para o purismo em voga, tais como: mecânica de repetição, peso do teclado para sensação de precisão, sonoridade que pudesse expressar nuances de toques, pedais que permitissem dosagem de pressão e distância, uso o melhor possível da inércia no "set" mecânico dos martelos, o revestimento dos martelos com lã animal (carneiro), bordões que fizessem o efeito pedal na harmonia, e tantas outras coisas decorrentes da busca e sensação sutil dos superdotados. Então, nesse afã, quase desesperado, surgiu a dinastia steinwayiana! Sorte de todos nós.


A cultura alemã, sempre colaborou com a produção de alta qualidade principalmente na área mecânica. Então, o instrumento nasceria com uma carga “antropológica” de qualidade impar. O detalhe obrigava um trabalho de pesquisa, discussão e muitos testes. Com isso, os funcionários da empresa foram arrebatados por essa atmosfera de indagação e busca do melhor. Podemos imaginar o que significavam as grandes discussões sobre partes de que muitos participavam. Era o “clima do ventre” onde estava sendo concebido, gerado o melhor de todos os pianos. Não havia nada igual na Alemanha (tampouco no mundo)! Aos poucos, o "glamour" e "status" de ser um participante, funcionário daquela “casa de milagres”, catapultou a equipe toda, para o cenário de “doutores” da mecânica sonora do piano. Todas essas cabeças interessadas exigiam e policiavam o resultado. Era “vento de popa” para a grande nau que iria iniciar sua viagem pelos grandes mares da terra. Criou-se, assim, uma coisa quase doentia, que foi a mania ao detalhe. Tudo era importante, nada estava solto no ar, tudo justificava ser visto, revisto. Impregnar o trabalho de esmero era fundamental. O som, que foi dissecado como nunca, naquela época, dentro daquela fábrica, foi tomando contorno do conceito que nos alcança e perdura: “ baixos profundos, região central maviosa e agudos brilhantes!” E equilibrar isso, numa entonação steinwayiana, provocava o delírio em quem ouvisse o resultado. Tornou-se unanimidade. Em suma: a unanimidade nasceria num ambiente de intensa atenção ao detalhe.
O melhor critério para julgar, avaliar um piano, reside no conhecimento dos seus compostos, para fazer uso do detalhe no julgamento. Em música, por ser algo julgado pela afetividade humana, existe uma condição fundamental e até cruel: qualidade! E, para o gueto pianístico, isso se torna extremo. Todos, ou quase todos, sabem o que querem ouvir. E focam isso tão intensamente que, não raramente, ficam extremamente exigentes. Daí a importância da qualidade da estirpe do instrumento.

 

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