CLASSIFICAÇÃO DAS VOZES

 

CLASSIFICAR uma voz é definir a categoria vocal a qual ela pertence. Ao fazê-lo consideram-se, inicialmente: extensão, tessitura e emissão da voz autêntica (com apoio).


A princípio, classificam-se as vozes quanto:
a) à idade: infantis e adultas.
b) ao sexo: femininas e masculinas.

Chama-se EXTENSÃO ao conjunto de todas as notas fisicamente passíveis de serem cantadas, enquanto TESSITURA refere-se às notas emitidas de forma timbrada. Portanto, a tessitura tem uma abrangência menor do que a extensão.

As vozes infantis apresentam a seguinte tessitura:classificação vozes

As vozes adultas são classificadas (da mais aguda para mais grave) em:
a) femininas: soprano, meio-soprano e contralto.
b) masculinas: tenor, barítono e baixo.

A palavra SOPRANO significa a “voz mais alta”, não só por ser feminina, mas por ser a mais aguda de todas as vozes. Sua origem vem do italiano “sopra” ou do latim “supra”, que quer dizer em cima de, além, acima. Os sopranos apareceram mais tarde na história do canto, quando passaram a ser ouvidas pessoas que cantavam acima de todos, “cantavano sopra di tutti”.


Na idade média havia proibição, por parte da igreja de então, que as vozes femininas cantassem nos ofícios religiosos. Por isso, durante muito tempo utilizou-se a voz de homens que eram castrados antes da puberdade. Por terem um mínimo de testosterona (hormônio masculino), eles cantavam com uma voz parecida com a voz feminina. Esse tipo de voz deixou de ser usada no século XIX.


A palavra TENOR é originada do verbo “tenere”, do italiano, que significa ter, sustentar. Este nome foi aplicado pela primeira vez na idade média, a cantores de canto gregoriano que podiam sustentar melodias agudas, quando só cantavam nas igrejas as pessoas do sexo masculino, de preferência, religiosas.


Entre as vozes mais graves e as mais agudas, existe uma gama de subdivisões determinadas por vários fatores: anatômicos, fisiológicos, estilo, vibrato, timbre, repertório etc.

VOZES FEMININAS

classificação das vozes

Atualmente, os sopranos são assim subdivididos:


1. SOPRANO LEGGERO, em italiano, traduz-se como SOPRANO LEVE (ligeiro em italiano é presto e não leggero). Voz suave e graciosa, volume menor, bem extensa em direção aos sons agudos e supra agudos, possui extrema facilidade para trabalhar com coloridos vocais (em italiano, coloratura) que adornam certas frases musicais e poéticas, como, p.e., “Gualtier Maldè”, Caro Nome, da ópera Rigoletto. Trata-se de uma voz agudíssima, cuja nota de fala está entre o FÁ 3 e FÁ#3. Em alemão diz-se Koloratursopran.


2. SOUBRETTE: entre os sopranos leves existe a especialidade cômica (buffa), que é chamada de soubrette. Exemplos de papéis para este tipo de voz: Adina, da ópera cômica “L’Elisir D’Amore, de Donisetti;

Suzanna, em “Le Nozze di Fígaro”; Despina, em “Cosi fan tutte”, de Mozart; e o papel masculino do adolescente Oscar, da ópera “Un Ballo in Maschera”, de Verdi.

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3. SOPRANO LÍRICO: não dispõe da agilidade do soprano leve, nem da intensidade de voz e dos acentos (tipo de som) característicos do lírico spinto, mas, ao contrário, apresenta um timbre claro e quente, brilho na voz, e é um tipo de voz suave e terna. Ex.: Marguerite, na ópera Faust [Fausto], de Gounod.


4. LÍRICO SPINTO: apresenta uma qualidade mais quente e penetrante do que o lírico, tem um modo característico de emissão da voz, como se o som fosse empurrado (spinto, particípio passado do verbo spingere – italiano – que significa empurrar), porém com suficiente leveza para não embranquecer a voz.
Aparenta-se com o soprano dramático, porém não alcança os limites de sonoridade deste. Ex.: “I Lombardi Nelll’ultima Crocciata”, Verdi.

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5. SOPRANO DRAMÁTICO: por causa do seu timbre “escuro” na primeira oitava, é uma voz próxima do meio-soprano, ao ponto de criar equívocos na classificação, principalmente quando se descuida em avaliar a nota mínima da tessitura do soprano.

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6. MEIO-SOPRANO ou MEZZOSOPRANO: é uma voz mais grave do que o soprano, e também pode ser lírico e dramático, pelas mesmas propriedades de constituição física, atitudes de expressão próprias da voz e seu emprego em repertórios masculinos (“Cherubino”, em Nozze di Fígaro). Sua nota de fala pode ser, na maioria das vezes, DÓ ou RÉ 3. Ex.: mezzo dramático – “Assussena”, em O Trovador, e mezzo lírico – Il Barbiere di Siviglia.

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7. CONTRALTO: é a voz mais grave entre as mulheres. A nota de fala, normalmente, é o SI 2, e sua nota mínima, FÁ ou MI 2. Distingue-se do meio-soprano pelo timbre mais escuro, mais encorpado, voz cheia e aveludada, podendo dar uma aparência de virilidade na oitava inferior. É um tipo muito raro entre os latinos, e pouco menos nos países nórdicos, anglo-saxônicos e eslavos.

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8. TENOR LEGGERO ou TENOR LEVE: tem as mesmas características do soprano leve: atinge notas muito agudas e tem facilidade para executar melismas ou ornamentos. Ex.: “Conde d’Alma Viva”, em O Barbeiro de Sevilha; “Tamino”, da ópera A Flauta Mágica, de Mozart.


9. TENOR LÍRICO: tem como característica o brilho nos agudos, enquanto o tenor leve tem voz mais fraca e sem brilho. Ex.: “Rodolfo”, da ópera La Boheme, de G. Puccini, e “Alfredo”, da Traviata, de Verdi.


10. TENOR LÍRICO SPINTO: possui voz com muita potência e pouco brilho, mas é dono de uma impetuosidade peculiar. Ex.: “Álvaro”, da ópera La Forza Del Destino.


Os tenores acima têm a mesma tessitura:

Classificação das vozes

11. TENOR DRAMÁTICO: análogo ao soprano dramático. Ex.: “Otelo”, da ópera Otelo, de Verdi.


12. BARÍTONO: há dois tipos bem distintos: brilhante ou cantabile (cantante) e dramático.

Barítono brilhante tem voz encorpada, porém leve e com certo brilho, com facilidade para executar ornamentos, quando em óperas cômicas (como O Barbeiro de Sevilha).

Barítono dramático tem a voz escura, mas com a mesma capacidade sonora, adaptado para os papéis dramáticos (como “Escamillo”, o toureiro de Camen, de Bizet).

Classificação das vozes

 

13. BAIXO: há dois tipos bem distintos: cantante, também chamado de baixo-barítono, e baixo profundo.

Baixo cantante tem voz grave, porém mais leve do que o baixo profundo. Assume dois tipos de personagens: pais, reis, imperadores etc, e também certos papéis cômicos (buffo), por isso é chamado de BASSO BUFFO, como o “Doutor Bartolo” e “Don Basílio”, do Barbeiro de Sevilha.

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Baixo profundo é aquele que interpreta sacerdotes, grandes autoridades etc, como o “Sacerdote Sarastro”, da Flauta Mágica, de Mozart e “Osmin”, da ópera O Rapto do Serralho, de Mozart .

classificação das vozes

 

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